terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Ribeirinhos (06/02 tarde)

Depois do almoço, seguimos de canoa motorizada, para conhecer uma casa de ribeirinhos, os nativos que vivem na beira do rio. Vimos suas plantações no quintal da casa. Tudo natural, para subsistência.



Ali , no meio de tudo, chegamos numa plantilha que já conheci o nome, mas nunca tinha visto ao vivo: urucum. Ela tem umas bolinhas vermelhas por dentro que quando pressionadas, se transformam em tinta pura. É daí que saem as pinturas dos índios locais. E é claro que passei pela experiência!

Comemos uma tapioca feita por eles, ali na hora, com a mandioca plantada no quintal. Eles explicaram o processo de separação da goma e do óleo, como fazem a farinha, etc. Uma delícia! E um suco de cupuaçu direto da fruta para acompanhar.

Uma das meninas da casa, de 16 anos estava com o seu bebê (sim, ela já é mãe!). Mas, ali parece normal. As comunidades são formadas assim: os filhos casam-se e constroem a casa ao lado da casa dos pais e assim por diante. Ela conheceu seu marido numa festa. Eles tem escola, que também fica na beira do rio. Tudo é na beira do rio, pois o meio de transporte deles é a canoa. É como vão trabalhar, etc.
Após muito aprendizado, tiramos uma foto de todo o grupo com aquela comunidade.

A lição neste passeio é enorme. Não pensem ao olhar as fotos que os ribeirinhos vivem na miséria. Quem vive na miséria são os nossos favelados das cidades grandes. Os ribeirinhos vivem com pouco perto do que temos. Eles não têm energia elétrica, comem o que plantam, conhecem-se entre si e o mundo acaba do outro lado do rio. Mas, são felizes. Vivem bem e suas doenças são muito diferentes das nossas: tem problemas com picadas de animais, mosquitos, etc. Mas não tem Aids, câncer, infarto por stress, doenças respiratórias, depressão, etc.. Vivem até mais de 90 anos e a pele envelhece apenas por causa do sol. Há um projeto do governo levando energia elétrica para essas pessoas. Alguns defendem que isso é um absurdo, pois vai fazer com que a cultura dessas pessoas se perca, afinal junto da energia elétrica chega televisão, rádio, máquinas, etc. Outros, defendem que isso é um direito de todo cidadão, e que pode trazer muitos benefícios como o uso da geladeira, que pode armazenar alimentos e vacinas para a população. Enfim, uma discussão imensa, que como sempre, tem seus dois lados. Eu vi algumas árvores derrubadas para poder passar a energia elétrica. É de chorar. E também vi como a cultura desse povo é preservada. Tenho minhas dúvidas se eles realmente precisam desse recurso.

E apreciamos o sol se por numa bela vista. As nuvens atrapalharam um pouquinho, mas não impediram a beleza local.



Pegamos a canoa de volta e o dia ainda não tinha acabado, não. Próxima novidade: focagem de jacaré!

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