sábado, 30 de maio de 2009

Chegou!





CHEGOU!!!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Trintão chegando...

Trintão chegando.. Não tem jeito, uma hora a gente sai da casa dos 20...

É isso aí. Trinta é uma idade especial mesmo, acho que mexe com todo mundo.

Aí vai um pensamento sobre essa idade tão comentada. São trechos do texto: "Fazer 30 anos", de Affonso Romano de Sant'Anna, extraído do livro "A mulher madura".


Quatro pessoas, num mesmo dia, me dizem que irão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limite de alguma coisa grave.

Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais detalhadamente descortinar.

(..) fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los.

Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.

Até os 30 anos, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho, ou não, ambos não importam. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens e todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.

Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é sentir subitamente um deslumbramento. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.

Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se o espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.

Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema.

Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a de um cego em Jericó.

Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar para trás.

Chegar aos 30 anos é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A sombra do vento

Terminei de ler esse livro nas férias. Adorei! Tirei uns pensamentos interessantes de lá:

Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração.

Um segredo vale o quanto valem aqueles dos quais temos de guardá-lo.

Uma das armadilhas da infância é que não é preciso se entender muita coisa para sentir. Quando a razão é capaz de entender o ocorrido, as feridas no coração já são profundas demais.

Presentes são dados pelo prazer de quem presenteia, não pelo mérito de quem recebe.

É fácil perder antipatia por quem é nosso inimigo quando deixa de se comportar como tal.

A mulher de verdade se ganha pouco a pouco. O coração da mulher é um labirinto de sutilezas que desafia a mente grosseira do homem trapaceiro. Para realmente possuir uma mulher, é preciso pensar como ela, e a primeira coisa a fazer é ganhar sua alma.

Nós existimos enquanto alguém se lembra de nós.

Na hora em que se pára para pensar se gosta de alguém, já se deixou de gostar da pessoa para sempre.

O casamento e a família são apenas o que nós fazemos deles.

Muitas vezes o que conta não é o que se dá, mas o que se cede.

Há poucas razões para se dizer a verdade, mas para mentir o número é infinito.

O destino costuma estar na curva de uma esquina. Como se fosse uma lingüiça, uma puta ou um vendedor de loteria: as três encarnações mais comuns. Mas uma coisa que ele não faz é visitas em domicílio. É preciso ir atrás dele.

Falar é para bobos; calar é para covardes; escutar é para sábios.

Não confie em quem confia em todo mundo.

A espera é a ferrugem da alma.

Existem pessoas de quem nos lembramos, e outras com quem sonhamos.

Quem ama de verdade, ama em silencio, com fatos, e não com palavras.

Não existem segundas oportunidades, exceto para o remorso.

O difícil não é simplesmente ganhar dinheiro. Difícil é ganhá-lo fazendo algo que valha a pena dedicar a vida.

A firmeza de espírito só existe naqueles que, antes tarde do que nunca, encontram um objetivo para suas vidas e o perseguem com a ferocidade causada pelo tempo desperdiçado em vão.

Mulheres escutam mais o coração e menos bobagens.

Os acasos são as cicatrizes do destino.

Não há acasos. Somos marionetes da nossa inconsciência.

As pessoas estão dispostas a acreditar em qualquer coisa antes de acreditar na verdade.

Um livro é um espelho e só podemos encontrar nele o que carregamos dentro de nós.

Fonte: A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafon